21/08/2026

Treinamentos para plantas vasculares

Você sabia que era capaz de aumentar significativamente os rendimentos do seu cultivo usando técnicas diversas de estresse para a sua planta? 💹

Desde quebrar as fibras da sua planta até inclinar galhos com auxílio de utensílios externos, esse blog tem um guia perfeito para todo tipo de técnica de treino para ajudar sua planta a aumentar seu tamanho e rendimento!

 


 

🏋️Treinos: uma breve introdução 

Os treinamentos são um tipo de intervenção física nas plantas em que há uma manipulação direta delas com o objetivo de tornar a planta o mais eficiente o possível ao deixarmos todos os topos da planta na mesma altura através da manipulação de parâmetros como: ramificação, penetração de luz nas partes mais internas da cobertura da planta, e fluxo de ar que ela recebe.

Ao melhorarmos esses fatores, damos uma maior abertura para a planta poder focar sua energia em partes diferentes das que ela aplicaria caso não sofresse nenhum tipo de intervenção externa, possibilitando um rendimento maior no nosso processo de colheita. Alguns tipos de treino precisam de intervenção prévia para deixar os topos bem alinhados antes de fazer algum tipo de treino.

Por fim, é importante dizer que os treinos que abordaremos nesse blog não são adequados para o período de floração/frutificação das suas plantas. O ideal é que eles sejam feitos somente durante o período vegetativo e com plantas fotoperiódicas. Também não é indicado fazer todos os treinos de uma só vez, mas sim manter entre 1 ou 2 métodos de modo simultâneo, pois caso contrário, é capaz que sua planta não aguente todo o estresse da estratégia.

 


 

😤Estresse: como a adaptabilidade afeta o resultado

Ao treinarmos nossas plantas, usando qualquer que seja a técnica, estaremos submetendo ela a um determinado nível de estresse, pois algo está impedindo o livre fluxo do seu crescimento até então “linear.”

O estresse vai ser nosso instrumento de diálogo com a planta para definir como crescê-la. É através dele que conseguimos sinalizar para a planta qual o próximo movimento a ser feito. E é pensando nisso que os treinos são divididos em duas categorias: treinamentos de baixo estresse (LST) e treinamentos de alto estresse (HST).

 


 

🪶Quais são os LST’s mais comuns?

Os treinamentos de baixo estresse são técnicas de treino que geralmente envolvem um redirecionamento da direção de crescimento dos galhos. Dentro dos tipos mais comuns de treinos temos técnicas como: uso de amarras nas laterais das plantas, uso de ganchos no solo e uso de dobradores de galhos. Nesse tipo de treino, a estrutura principal que vamos trabalhar vão ser os galhos. 

As amarras, feitas normalmente com arames flexíveis ou barbante, podem ser aplicadas nas laterais do recipiente (caso ele tenha furos próximos ao topo) ou nas hastes de uma estufa. A ideia, além de deixar os galhos na mesma altura, é dobrá-los suavemente, formando um ângulo não muito diferente de 45º. Os ganchos possuem a mesma ideia, só que eles serão usados no solo.

Os dobradores de galho, normalmente feitos de plástico, servem para dobrar galhos em pontos nos quais os ganchos não conseguem alcançar ou em pontos ligantes entre o galho e o local da amarra que os arames não conseguem ser ajustados em uma posição favorável.

Figura 1: Foto de um conjunto de dobradores de galho vermelhos.

Nesse tipo de treino, as plantas costumam retomar seu crescimento habitual muito mais rápido do que quando comparados com outros treinos, então para deixar sua planta mais forte para os próximos treinos, o OHN da Zion vai estimular a microvida do solo, além de proteger sua planta contra certos tipos de praga. Esse item da linha KNF vai ser seu maior aliado para deixar sua planta na rota certa para o vigor e resistência contra doenças!

Por fim, quando pensamos em treinar o topo do caule principal da planta com LST, normalmente queremos uma estrutura que se pareça com uma espiral, sempre focando em abrir espaço para luz chegar nos nós das laterais dos galhos, como na figura a seguir:

Figura 2: Exemplo da estrutura final da planta com treino do topo do caule principal

 


 

🪸SCROG e SOG: dois irmãos na sustentação.

O SCROG (sigla do inglês para Screen of Green, ou “Tela de verde”) é um tipo de LST para estufas de cultivo que envolve o uso de uma tela quadriculada para sustentar os galhos da sua planta, o que permite que elas redirecionem sua energia de modo mais voltado à produção de flores/frutos do seu cultivo ao invés de garantir uma sustentação mais robusta e firme dos galhos lenhosos. 

É comum, durante a colheita, que a planta pese para os lados depois da remoção dessa tela, o que é um bom indicativo de que a planta de fato direcionou seus recursos na direção certa e que o treinamento foi bem sucedido. Não é recomendado o uso de genéticas diferentes para essa técnica, pois existem diferenças no padrão de crescimento entre as plantas.

O SOG (sigla do inglês para Sea of Green, ou “Mar de verde”) tem a mesma ideia por trás do SCROG, só que ao invés de usarmos uma só planta de maior porte, usamos várias plantas de pequeno porte, formando realmente o que parece ser um mar verde. A principal diferença, além da quantidade de plantas, também se dá no uso de telas: enquanto no SCROG costuma-se usar duas telas, no SOG costuma-se usar somente uma. Ela costuma ser uma técnica com menor duração que o SCROG porque não precisamos esperar a planta crescer tanto para começar a treiná-la.

Agora, se você quer realizar um dos métodos na sua casa, leia os passos abaixo! Para realizar o SOG, faça somente até o terceiro passo. Para o SCROG, realize a lista completa.

  1. Algumas semanas antes da sua planta florir, prepare uma tela com a malha (tamanho de cada quadrado) entre 10x10cm até 12x12cm de tamanho e que preencha a sua estufa de ponta a ponta.

  2. Depois disso, abaixe a tela até que ela esteja uns 3 a 5 cm mais baixa que os topos da sua planta.

  3. Em seguida, posicione todos os topos que estiverem acima da linha da tela abaixo desta, fazendo com que a parte superior de cada topo ainda possa crescer para cima.

  4. Repita o passo 3 até que toda a tela esteja preenchida com os topos.

  5. Depois da tela estar preenchida, espere suas plantas crescerem uns 10cm-15cm acima dessa primeira tela e posicione uma segunda tela logo acima, repetindo o processo de treino até preenchê-la por completo.

Em resumo, as duas técnicas funcionam bem, tudo depende da sua realidade e da sua disposição de espaço para cultivar. Uma forma de diminuir o intervalo entre o treino atual e o que virá a seguir, é sempre bom manter um solo com bastante vida. Por isso, é recomendável o uso dos nossos Micronutrientes Eficazes logo que esse tipo de treino começar, pois eles atuam no metabolismo do seu solo para o processo de recuperação da sua planta. Por fim, abaixo temos um comparativo dos benefícios individuais de cada técnica:

Comparação entre SCROG x SOG

SCROG SOG
Rendimento por planta maior ➕ Rendimentos iguais ou maiores que o SCROG 💹
Treinamento mais preciso entre as plantas 💉 Sem tanta necessidade de gasto de tempo com treino⌚
Colheita mais demorada 🔁 Colheita em menos tempo 〽️
Uso de uma só genética durante o ciclo 1️⃣ Opção de colher várias genéticas diferentes de uma só vez 2️⃣➕
Manejo facilitado e de fácil acesso para todas as plantas 😮‍💨 Manejo mais difícil pela quantidade de plantas 🤯

 


 

⚖️ Quais são os HST’s mais comuns?

Os treinamentos de alto estresse são técnicas de treino que geralmente envolvem danificar ou remover uma parte da planta de modo a redirecionar seus recursos/crescimento para um determinado ponto da planta. Dentro dos tipos mais comuns de treinos temos técnicas como: mainlining, supercropping, topping e fiming. 

 


 

🔝Topping e fiming: o arroz com feijão do alto estresse

Provavelmente as duas técnicas mais famosas entre cultivadores, o topping e o fiming possuem a mesma premissa em comum: alterar o crescimento da planta através da remoção ou dano parcial do MERISTEMA APICAL CAULINAR.

O meristema apical caulinar é um tipo de tecido que habita o topo do caule da planta. Esse tecido produz um hormônio (AIA) que impede da planta desenvolver novos ramos de galhos na sua lateral e favorecendo o crescimento vertical da planta. Ao cortarmos/danificarmos essa estrutura, a planta sofre alterações no seu padrão de crescimento.

As condições ideais para ambas as técnicas são:

  • A planta deve estar SAUDÁVEL e COM VIGOR DE CRESCIMENTO. 🩺

  • Ela deve estar entre os dias 12 e 16 da vegetação 📅

  • A planta deve ter 4 nós de crescimento com um 5º se preparando para nascer ↗️

  • O tronco deve ter ao menos 3mm de diâmetro e exibir fibras laterais (pequenas fissuras com uma cor lenhosa) 💪

Ao realizarmos um TOPPING, removemos esse topo da planta como um todo, gerando dois novos topos e uma uniformidade no processo de desenvolvimento de novas flores, reduzindo o tamanho vertical da planta, além de permitir um crescimento bem distribuído para os ramos abaixo do corte.

Ao realizarmos um FIMING, removemos de 75% à 80% desse topo da planta, o que rende de 2 a 4 topos novos (dependendo de como sua planta reagir) mas sem a uniformidade que o topping garante, além de também NÃO diminuir a altura vertical da planta. Por fim, é uma técnica que é significantemente menos estressante do que quando comparada a anterior, levando menos tempo para se recuperar do estresse.

Figura 3: Diferença da altura do corte entre o topping e o fiming

Os nós são pontos onde sua planta tem um crescimento de folhas, galhos e flores. Caso você tenha dificuldade em identificar um nó, a figura a seguir representa de forma bem evidente o que é essa estrutura:

Figura 4: Nódulo (nó) em uma planta de cannabis

Esse tipo de treino costuma ser agressivo para suas plantas, principalmente o topping. Para comunicar sua planta de que ela está segura, temos o FPE de Babosa da Zion, que contém Nitrogênio já processado dentro da sua composição, o que poupa a energia do seu cultivo nesses momentos difíceis. Para além disso, ela também possui microrganismos benéficos e sinalizadores de crescimento para a sua planta poder retomar seu rumo de um modo um pouco mais fácil.

 


 

Mainlining: o melhor amigo da eficiência e do SCROG

Uma técnica bem demorada mas que costuma valer a espera caso seja feita corretamente, o mainlining é combina o LST com toppings precisos e calculados. O objetivo por trás desse tipo de treino é deixar a estrutura da planta o mais quadrada/retangular o possível, pois esse tipo de formato facilita a distribuição de nutrientes ao redor da planta, favorecendo o crescimento e rendimento do seu cultivo.

Figura 5: Exemplo de um mainlining com oito topos

Aqui, devemos criar uma estrutura similar ao exemplo acima. A proposta por trás desse tipo de treinamento é que para cada sessão de topping realizada, o número de topos duplica exponencialmente.

Para realizar o mainlining, é preciso que sua planta tenha entre 5 e 6 nós, o que costuma demorar de 3 a 4 semanas, dependendo da sua realidade de cultivo. Depois disso, precisamos seguir os seguintes passos:

  1. Você vai remover toda a parte superior da planta acima do 3º ou 4º nó, dependendo da sua escolha, mantendo vivo somente dois pares de nós. Depois, remova o restante dos nós que sobraram além dos dois pares selecionados.

  2. A escolha sobre quais nós manter deve ser feita de acordo com quais pares tem o menor ESPAÇO INTERNODAL (distância entre um nó e outro) entre si. O resultado deve se parecer algo como a figura a seguir, só que ao invés de um só par de nós, deverão haver dois pares.

Figura 6: Como sua planta deve ficar depois da primeira intervenção do mainlining

  1. Caso você queira uma estrutura mais quadrada, mantenha somente um par de nós vivo e retirar todos os demais, mas saiba que você terá que fazer um topping a mais para conseguir atingir a sua meta de topos.

  2. Depois que sua planta se recuperar do estresse dessa primeira intervenção e retomar seu crescimento, você deve deixar seu(s) par(es) de nós na mesma altura, sendo possível realizar tal feito através dos ganchos no solo ou com as amarras no vaso/estufa. 

  3. Quando os novos topos tiverem crescido um total de 3 nós com um 4º nó a caminho, você deve fazer um topping acima do 3º nó e remover o 1º e 2º par de nós, deixando somente o 3º par vivo.

  4. Depois do passo anterior, você deverá ter 8 nós (caso tenha deixado 2 pares de nós na primeira intervenção) ou terá 4 nós (caso tenha deixado 1 par de nós na primeira intervenção).

  5. Por fim, repita o 3º passo até que sua planta tenha a quantidade de nós que você deseja. 

É importante lembrar que esse tipo de técnica estressa muito a sua planta, o que vai fazer com hajam grandes intervalos entre os momentos de crescimento. Para estimular sua planta a voltar a crescer, o JLF da Zion contém várias substâncias que dão sinais para a sua planta de que agora é o momento de retomar o crescimento.

 


 

😨 Supercropping: eficiente, mas assustador…

Amada por uns, temida por outros, o supercropping é uma técnica de HST que envolve dobrar um galho da planta quebrando as fibras dela sem que se rompa o tecido do galho em questão, isto é, quebrar internamente, sem expor o ambiente interno do galho ao exterior. É assustadora justo pelo que ela se propõe a fazer: propositalmente quebrar um pedaço saudável pela sua planta.

A lógica por trás da técnica é de que quando a planta sofre algum tipo de dano estrutural grave, ela canaliza boa parte dos seus recursos para manter aquela parte ferida viva. O que acontece, na maioria das vezes, é que nesse esforço de direcionamento de energia, a planta engrossa seu caule, fortificando sua estrutura e potencializando maiores rendimentos.

Esse tipo de técnica é muito utilizada em plantas que acabam ficando muito altas ou que estão tendendo a ficaram muito altas, sendo idealmente feita nos estágios finais da vegetação ou nas primeiras semanas de floração. Para realizar um supercropping em casa, você deve seguir os seguintes passos:

  1. Localize o galho a ser treinado e comece a apertá-lo gentilmente, sem usar muita força, com um movimento de pinça usando o dedão e o indicador perto de onde você vai realizar a dobra. A ideia é que você sinta a sensação do galho antes de partir imediatamente para quebrá-lo.

  2. Depois de sentir a planta, você deve escolher um ponto específico aonde as fibras serão quebradas e a planta será dobrada. É fundamental que o ponto esteja a pelo menos 3 nós abaixo do topo da sua planta, mas não baixo o bastante para que os galhos já estejam lenhosos, isto é, sem flexibilidade.

  3. Em seguida, gire o galho de um lado pro outro usando do movimento de pinça com os dedos, mas dessa vez aplicando um pouco mais de força. 

  4. Quando você sentir o galho um pouco mais enfraquecido, mantenha o movimento de pinça e aperte no local do treinamento até que você ouça um barulho que se assemelha com um “pop”, ou seja, algo como um som de bolha.

  5. Depois, você perceberá que sua planta tenderá a tombar na parte superior ao local onde foi feito o treino. Isso é um bom sinal. Direcione para onde você gostaria que a planta fosse dobrada e pense que esse será o local cujo qual ela crescerá verticalmente quando retomar o crescimento.

Figura 7: Imagem de uma planta com o supercropping recém feito

Depois de curada, a sua planta ficará com um calo no local afetado, indicando o fim do processo de treino junto à retomada do crescimento da planta. Pensando nisso, e sabendo que esse tipo de HST costuma sempre ser feito próximo à floração, é bom que a sua planta consiga consiga aproveitar melhor do novo potencial proporcionado pelo treinamento, e por isso, o nosso WCA de Cálcio é excelente escolha para que a sua planta fortifique suas novas paredes celulares e para que ela possa usar seus nutrientes sem que eles fiquem retidos de alguma forma no solo.

Figura 8: Calo formado em uma planta depois da cura do processo de supercropping

 


 

🔁Por fim: combinar treinos para crescimento eficiente

A melhor forma de potencializar os treinos das suas plantas não é fazendo só um tipo de treinamento, mas sim combinando estilos diferentes que se complementem. Alguns exemplos disso são:

Melhores combinações de treinos

SCROG + Mainlining
Topping + LST
Supercropping + SCROG
SOG + LST
Topping + SCROG

 

É fundamental saber combinar tanto técnicas mais simples como as de baixo estresse (usando ganchos e amarras) ou aquelas em que é necessário um ajuste mais constante do crescimento com o uso de telas como no SCROG/SOG, com aquelas outras de mais alto estresse, em que a planta redireciona seu crescimento pela remoção do topo (topping), ou pelo dano à algum galho (supercropping), ou, ainda, pela remoção calculada dos nós junto ao topo (mainlining). Juntas, elas se tornam cada vez mais fortes, só não tente fazer tudo de uma vez!

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